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Quando o Brasil foi
descoberto, a terra que hoje pertence ao Estado de Alagoas,
era um mundo de mata virgem, onde viviam índios nativos. Rios perenes,
muito peixe, frutas, animais soltos. Enfim, a flora e a fauna exuberantes,
que enchiam os olhos dos portugueses que foram chegando para iniciar o
processo de colonização.
A grande quantidade de lagoas em seu litoral, fez com que os colonizadores
batizassem logo a região de Alagoas. Elas continuam embelezando a paisagem
típica do Estado, se constituindo em pontos de atração turística e ainda em
sustento de milhares de alagoanos, que tiram dela, o peixe e o sururu,
molusco típico, consumido não só pelos pobres, mas presente na mesa dos
ricos, da classe média e dos bares e restaurantes.
Esse pedaço de terra brasileiro, entre o Litoral e o Sertão, pertencia a
Capitania de Pernambuco, comandada pelo donatário Duarte Coelho, que em
visita ao Sul da Capitania, deparou-se com o rio São Francisco. Lá, edificou
um forte e deu origem a cidade de Penedo, comprovadamente o primeiro núcleo
habitacional de Alagoas. Hoje, é uma cidade das mais importantes do Estado.
Durante várias décadas, foi a mais progressista do interior. Perdeu para
Arapiraca na segunda metade deste século. Mas continua imponente, com seu
casario colonial, seu povo culto, seu potencial turístico e sua economia que
cresce a cada dia. Imaginemos Alagoas nos tempos do descobrimento do Brasil!
Da foz do São Francisco a Maragogi: índios nativos
como os Caetés e os Potiguaras. Nus, livres, vivendo
da caça e da pesca, falando língua própria, usufruindo dessa beleza natural,
com rios e lagoas sem poluição. Um povo festeiro, cultuando suas tradições.
Era feliz e livre da presença do branco português, que aqui chegou para
marginalizá-la, exigir que aprendesse sua língua, sua religião e seus
costumes. Todos perderam a identidade e se tornaram escravos da ganância dos
colonizadores, que só queriam extrair a riqueza da terra e enviar para
Portugal.
Nossos índios eram vaidosos, festeiros e valentes. Adoravam se pintar com
várias cores, dançar, e achavam o nariz chato um
importante requisito de beleza. No Sul eram os Caetés e suas sub-tribos, como a dos Caambembes,
instalada em
Viçosa. No Norte, os Potiguaras. As demais tribos, eram:
- Abacatiaras, que viviam nas ilhas do rio São
Francisco.
- Umans, no alto Sertão, as margens do rio Moxotó.
- Chucurus, em Palmeira dos índios.
- Aconans, Cariris, Coropotós
e Carijós, as margens do São Francisco,
- Vouvés e Pipianos, no
extremo ocidental de Alagoas.
Esses nativos alagoanos eram bronzeados do sol escaldante, moravam em cabanas
de palha, reunidas em forma de aldeias e viviam da caça e da pesca. Promoviam
festas, utilizando-se de instrumentos musicais como corneta, flauta e maracá.
Em combate, atiravam sobre o inimigo, flechas envenenadas e sobre as aldeias,
flechas com algodão inflamado, para incendiá-Ias.
As índias alagoanas trabalhavam muito. Fiavam algodão para confeccionar
cordas e redes e ainda fabricavam vasos de barro para uso doméstico. O
adultério era considerado crime. Nas aldeias, todos se reuniam em forma de
República. O chefe maior era o Cacique, escolhido
entre os mais velhos e respeitados. O Pajé era o conselheiro espiritual. Nas
grandes crises, eles se reuniam em conselhos, denominados Carbés.
Hoje, Alagoas tem aproximadamente 700 índios, distribuídos nas tribos:
- Chucurus, em Palmeira dos índios, muito bem
organizada, já toda civilizada, com escola, posto de saúde, posto telefônico
e outros benefícios.
- Cariris, em Porto Real
do Colégio, também com toda a infraestrutura
econômica e social, funcionando.
- Tngui-Botós. em
Feira Grande.
- Wassus, em Joaquim Gomes, e
uma outra descoberta recentemente, ainda em estudo na Funai
– Fundação Nacional do índio, para constatar sua verdadeira identidade. É um
pequeno grupo que vive no alto Sertão alagoano.
Assim era Alagoas na época do descobrimento do Brasil. Esse pedaço de Brasil,
abençoado pela natureza, livre, com a Mata Atlântica exuberante, o
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Duarte Coelho, segundo os
historiadores, era dotado de muita capacidade administrativa e devotado a
causa do governo português
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Por: Jair Barbosa
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A primeira expedição ao Sul
da Capitania de Pernambuco, foi conduzida pelo
próprio donatário, Duarte Coelho, que saiu do Recife beirando o litoral até
chegar a foz do rio São Francisco. De lá, rio acima, deparou-se com um
local privilegiado pela natureza, com o rio cheio de pedras. Edificou um
forte e deu origem a povoação de Penedo.
Duarte Coelho, segundo os historiadores, era dotado de muita capacidade
administrativa e devotado a causa do governo português. Suas cartas ao Rei
Dom João BI, eram verdadeiros relatos sobre a riqueza da capitania, suas
paisagens e os fndios. Fundou Olinda, fez aliança
com os índios e iniciou o plantio da cana-de
açúcar, dando origem aos primeiros engenhos, que durante quatro séculos
dominaram a economia pernambucana e alagoana, sendo substituídos
peias usinas.
Mas toda essa extensão de terras, entre o Litoral e o Sertão pre-cisava ser colonizada. Aí surge a figura de um
alemão Cristhovan Lintz,
depois aportuguesado para Cristovão Lins. Ele vivia em Portugal, onde casou-se com Adriana de Hollanda,
filha do holandês Amault de Hollanda
e da portuguesa Brites Mendes de Vasconcellos Hollanda.
O casal de-sembarcou no Recife, na primeira
metade do século do descobrimento (XVI) e ganhou uma imensa sesmaria,
compreendendo o Cabo de Santo Agostinho até o vale do rio Manguaba. Fixou-se exatamente
as margens desse rio, onde fundou a povoação de Porto Calvo e os três
primeiros engenhos: Bscurial, Maranhão e Buenos
Aires.
O segundo colonizador foi o português Antonio de Barros Pimentel, casado
com Maria de Hollanda Barros Pimentel, irmã da
mulher de Cristovão Lins. Ele chegou ao porto da Barra Grande (Maragogi), ainda com a roupa que usava na Corte, em Lisboa. Era um
nobre, descendente de uma das mais importantes famílias de Portugal,
originária da cidade de Viana, mas com os seus ancestrais surgidos na
Espanha. Ganhou uma sesmaria que compreendia as terras entre os rios Manguaba, pas-sando pelo
Camaragibe e chegando ao rio Santo Antonio, em São Luiz do Quitunde. Construiu engenhos de açúcar e criou gado.
A sesmaria que compreendia as margens das lagoas Mundaú e Manguaba, pertencia ao português Diogo Soares, enquanto
em São Miguel
dos Campos, o dono das terras era de Antônio de Moura Castro e as de
Penedo, de Dom Felipe de Moura. Outras sesmarias de menor porte, foram surgindo em vários pontos de Alagoas.
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Costumes e Tradições
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O
dia-a-dia nos engenhos alagoanos dos séculos XVII, XVIII e XIX, pouco
diferenciavam do das usinas
de hoje
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Por: Jair Barbosa
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Obviamente que a paisagem
mudou. Não existe mais escravos e sim
trabalhadores, mas que continuam servis aos patrões. A maioria sem qualquer
vínculo empregatício, ganhando pelo que produz. Os escravos eram negros,
enquanto os trabalhadores atuais são mestiços, brancos ou negros. Os
costumes e tradições mudaram muito.
Não existem senzalas, mas casas populares, em algumas usinas. A maioria
preferiu deixar os trabalhadores morando nas cidades próximas e garantir o
transporte para a usina ou o canavial. A casa grande ainda existe. Mas
geralmente o usineiro vive na capital em confortáveis mansões ou
apartamentos luxuosos no Farol ou dos bairros da orla marítima.
As sinhazinhas (filhas dos senhores de engenho) eram preparadas para casar
logo que chegassem a adolescência. Estudavam as
primeiras letras com professores particulares na própria casa grande,
estudavam ainda o latim e o francês, aprendiam a bordar e cozinhar e liam
poesias. Eram românticas, mas dificilmente casavam por amor, sendo
obrigadas a casar com primos legítimos e até tios. Tudo para preservar o
patrimônio da família.
As patricinhas (filhas de usineiros) são meninas livres, que vivem a doce
vida de filhas de milionários, viajando para o exterior, estudando nos
melhores colégios da cidade ou mesmo fora do país; usam roupas de grifes
famosas e não mais são obrigadas a casar com quem o pai quer, embora que
dificilmente procurem algum rapaz pobre. Algumas chegam a engajar-se no
trabalho logo que terminam a universidade, seja como administradoras de
empresas ou assistentes sociais, na usina da família.
Hoje, as senhoras dos usineiros procuram trabalhar também na própria usina,
ajudando o marido em atividades sociais, como a assistência às famílias dos
trabalhadores. Já não são mais aquelas matronas, que se enfurnavam na casa
grande, só cuidando das atividades domésticas e gerando filhos. Algumas
optam pela vida produtiva na capital, atuando em atividades do comércio,
como butiques de marcas sofisticadas. Mas, são produtivas, atualizadas,
viajadas e não mais esbanjam riquezas.
Nos engenhos, as festas eram restritas a casa grande. Os escravos ficavam
nas senzalas cultuando suas tradições africanas. Mas eram proibidos de,
pelo menos, observar os festejos realizados pelos patrões, que comemoravam
as festas do santo padroeiro, as de São João e São Pedro; o Natal e o Ano
Novo, além de casamentos, aniversários, batizados e outras cerimônias. A capela
era o centro de todas as atenções.
Nas usinas desse final de século, realizam-se festas promovidas pelos
trabalhadores, geralmente em clubes sociais administrados por eles
próprios. Ao invés do autêntico folclore típico da zona canavieira, dançam
e cantam o axé-music. As moças usam mini-saia ou
calça coladas ao corpo. Pouco se diferenciam das
filhas do patrão. Vez por outra, aparece alguma dessas filhas do
proletariado, usando uma calça jeans de marca famosa, comprada a prestação
numa boutique da capital.
Ao invés do barracão (armazém de venda de alimentos) dos antigos engenhos,
os trabalhadores das usinas compram em supermercados ou mercadinhos das
cidades próximas ou mesmo na feira-livre. Recebem seus salários no último
dia útil da semana e logo providenciam o abastecimento da cozinha.
Em algumas usinas, cujos proprietários são mais conscientes da realidade
econômica e social, prioriza a assistência ao trabalhador, funcionam
escolas e creches para as crianças, além de assistência médica e
odontológica. Nos engenhos banguês, crianças
filhas de escravos ou trabalhadores brancos, não freqüentavam escolas, que
eram só para os filhos dos patrões.
Nas usinas globalizadas e competitivas, existem bons exemplos de como
conduzir uma empresa moderna, pensando no social. A Caeté, do Grupo Carlos
Lyra; Coruripe, do Grupo Tércio Wanderley; Leão (Rio Largo), do Grupo Leão;
Santo Antônio (São Luiz do Quitunde, do Grupo
Correia Maranhão; Porto Rico (Campo Alegre), do Grupo Olival Tenório, entre
outras. Os trabalhadores e suas famílias são muito bem assistidos. Existem
creches, escolhas, clubes sociais, postos de saúde e outras benfeitorias.
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A própria cidade de União
dos Palmares, hoje, já lembra seu passado histórico. Em vários pontos vê-se
o nome de Zumbi e do Quilombo dos Palmares
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Por: Jair Barbosa
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Os negros africanos, que
chegavam aos montes aos engenhos de Alagoas, logo que foi autorizado o
tráfego negreiro, viviam como escravos, sendo maltratados e trabalhando
para enriquecer o patrão branco. Obviamente que eram revoltados e
procuravam a todo custo conquistar a liberdade.
Era preciso que surgisse um líder da raça, que incentivasse os demais a
lutar pela tão sonhada liberdade. E, assim entra em cena Ganga Zumba,
que levou um grupo de negros para um local distante dos canaviais, no alto
da Serra da Barriga, no atual município de União dos Palmares. Os engenhos
localizavam-se nos vales dos rios Manguaba,
Camaragibe e Santo Antônio. A notícia foi se espalhando e a cada dia,
chegavam mais negros fugitivos.
Logo batizaram o local de Quilombo dos Palmares. Terra fértil, boa para o
plantio de qualquer tipo de lavoura, logo foi se tornando um importante
centro produtor. Os negros construíram uma verdadeira civilização, assim
como era na África. Ganga Zumba se constituía no
Chefe de Governo e tinha seus Ministros. Formou-se então uma verdadeira
República. Um avanço na época, comparando-se a submissão do Brasil à Portugal. Lá, eles viviam livres, falavam seu próprio
idioma, não eram maltratados pelos brancos e podiam cultuar suas tradições
religiosas e festivas.
Vez por outra, os portugueses, brasileiros e até holandeses tentavam acabar
com esse refúgio dos negros. Não conseguiam. A população negra era mais
numerosa e organizada. O tempo foi passando e Ganga Zumba
já não conseguia ter forças para liderar a comunidade. Na tradição
africana, a hereditariedade era passada de tio para sobrinho. E, assim, ele
escolheu um desses sobrinhos: Zumbi, um jovem negro, forte, educado por um
padre de Porto Calvo, que logo afeiçoou-se a causa
da liberdade, integrou-se ao Quilombo e tornou-se o maior líder
revolucionário da História do Brasil, finalmente reconhecido depois de 300
anos de sua morte, por decreto assinado pelo então presidente Fernando
Henrique Cardoso, em 20 de novembro de 1995, exatamente quando o país
reverenciava os 300 anos de sua morte.
Zumbi era um líder nato. Organizado, logo pôs ordem no Quilombo, nomeando
seus assessores e distribuindo tarefas para toda a população, que era
preparada para a batalha. Quando esse dia chegava, ninguém dormia. O
quilombo fervia. Era homens, mulheres e crianças
de prontidão para o ataque. Foram vários.
Por quase um século o Quilombo dos Palmares resistiu. Mas, em novembro de
1895, os brancos conseguiram subir a Serra da Barriga. Era um grupo
numeroso e fortemente armado, liderado por Domingos Jorge Velho e Bernardo
Vieira. O sangue jorrou. Milhares de negros foram barbaramente
assassinados. Zumbi conseguiu fugir acompanhado de mais três companheiros.
Lutou até o fim, quando viu tudo que construiu ser destruído e seus irmãos
de cor, sendo mortos.
Existem duas versões sobre a morte de Zumbi. A primeira é a de que ele
suicidou-se, pulando de um precipício na Serra da Barriga. Mas os
historiadores da época afirmam que ele foi assassinado mesmo, depois de
alguns dias da destruição total do Quilombo. Sua cabeça foi cortada e
levada ao Recife, para ser exposta ao público como um troféu. Era o dia 20
de novembro de 1695. E depois de três séculos, essa data vendo sendo lembrada
como o Dia Nacional da Consciência Negra. A cada ano, centenas de negros e
brancos sobem à Serra da Barriga nesse dia, para
reverenciar Zumbi e sua raça.
O local é tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional. Mas precisa melhorar
sua infra-estrutura. Faltam recursos financeiros. O projeto para construção
do Memorial Zumbi, já existe. Mas continua engavetado. Seria a construção
de um espaço cultural no alto da serra, com museu, biblioteca e teatro. A
luta dos movimentos negros continua. Já apresentaram vários avanços. A
própria cidade de União dos Palmares, hoje já lembra seu passado histórico.
Em vários pontos vê-se o nome de Zumbi e do Quilombo dos Palmares. Em
Maceió, existem as praças Ganga Zumba e do
Quilombo dos Palmares, além de uma escola municipal. O aeroporto também
lembra esse episódio que se constituiu no primeiro grito de liberdade do
Brasil.
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A fertilidade da terra que
depois transformou-se em Capitania, Província e
Estado de Alagoas, atraía muita gente
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Por: Jair Barbosa
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A fertilidade da terra que
depois transformou-se em Capitania, Província e
Estado de Alagoas, atraía muita gente. E, com o avanço da invasão de outros
povos europeus ao Brasil, logo esse pedaço da então Capitania de Pernambuco
ficou muito visitado.
Primeiro foram os franceses, que chegaram para explorar o pau-brasil. Não
passaram muito tempo, mas deixaram uma marca: a construção do primeiro
porto, que ficou conhecido como Porto dos Franceses, aproveitado depois
como único porto da região, para o transporte do açúcar em demanda a
Portugal. E foram quase três séculos com esse local contribuindo
decisivamente com o progresso de Alagoas, até o surgimento do porto de
Jaraguá. Hoje, ainda existe um resquício daquela época: a carcaça de um
navio francês, que, quando a maré está baixa, fica bem visível. E esse
curto período vivido pelos invasores, imortalizou-se na História e está com
o nome na “boca do povo”. É a praia do Francês, a mais badalada do litoral
alagoano, conhecida no país e no mundo, como uma das mais bonitas do
Brasil. Pertence ao município de Marechal Deodoro, distante poucos
quilômetros da capital.
Mas, a fase mais duradoura dessas invasões foi mesmo a dos holandeses, que
transformaram a Capitania de Pernambuco no Brasil Holandês e muito
contribuíram para o seu desenvolvimento, embora Alagoas não tenha
experimentado essa fase de apogeu, que se restringiam mais ao Recife e
Olinda. Por aqui, foi mais destruição, como ocorreu com a Vila de Santa
Maria Madalena da Lagoa do Sul (atual Marechal Deodoro), completamente
incendiada pelos holandeses, que ainda tentaram fazer o mesmo em Santa Luzia do
Norte, não conseguindo, devido a ação rápida de
seus moradores, liderados por dona Maria de Souza. Em Penedo, construíram
um forte, depois destruído pelos brasileiros e portugueses que não queriam
qualquer lembrança dessa fase.
Um outro episódio que marcou a presença dos
holandeses em Alagoas, foi a Batalha da Mata Redonda, uma alusão ao local
(hoje pertencente ao município de Porto de Pedras) onde ocorreu a mais sangrenta
batalha entre holandeses, portugueses e brasileiros, vencida pelos
primeiros, por ter um maior arsenal e maior contingente de homens.
Mas os holandeses liderados por Maurício de Nassau, muito fizeram por
Pernambuco. A cultura, a educação, o avanço na agricultura e na pecuária.
Enfim, uma civilização que eles queriam formar e transformar numa colônia
desenvolvida. Construíram pontes (ainda
existentes), teatros e outras grandes obras no Recife, cidade que ainda
hoje lembra esse período de desenvolvimento cultural e econômico.
Os holandeses eram protestantes (evangélicos), mas não impunham essa
religião aos brasileiros que eles já dominavam. Assim a religião católica
continuou sendo forte na Capitania. Preocupavam-se com a educação,
implantando métodos avançados de alfabetização para crianças e adultos.
Maurício de Nassau foi inegavelmente o maior administrador que o Brasil já
teve. Era organizado, trabalhador e extremamente ético, qualidades que os
demais donatários portugueses não possuíam, optando mesmo pela exploração,
a escravidão dos negros e índios e o aumento da produção de açúcar para
enviar a Portugal.
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Começa então a história
desse bravo alagoano, que alguns historiadores afirmam ter sido traidor e
que ele próprio nunca se considerou assim
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Por: Jair Barbosa
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Chamava-se Domingos Fernandes Calabar, um mulato, filho de dona
Ângela Álvares, nascido na Vila de Porto Calvo. Estudado, rico e com
espírito de liderança, avançou no seu tempo. Mesmo assim, ainda era discriminado
pelos brancos portugueses e brasileiros, por sua condição de mestiço e
filho bastardo. Possuía engenhos de açúcar, muito dinheiro, estudou em
Olinda, era culto e muito bem informado.
Quando da Invasão Holandesa a Porto Calvo, lutou ao lado de seus
conterrâneos contra esses invasores. Mas logo foi percebendo que eles
tinham um projeto de colonização muito mais avançado e ético do que o dos
portugueses. Não contou conversa: passou para o lado dos holandeses.
Começa então a história desse bravo alagoano, que alguns historiadores
afirmam ter sido traidor e que ele próprio nunca se considerou assim.
Deixou uma carta-testamento, mostrando sua decisão. Nela, alegava que não
se considerava traidor, porque o Brasil não era uma pátria. E que o projeto
dos holandeses era muito melhor para os brasileiros. Mas não foi
compreendido, obviamente.
Calabar viveu as experiências mais desastrosas daquelas épocas. Acompanhava
os holandeses em suas batalhas, destruindo engenhos e fazendas. Sabia que
tudo aquilo que acontecia era porque seus conterrâneos não aceitavam a
proposta de colonização dos invasores, optando mesmo pelos portugueses, já
que eram descendentes destes.
Por conhecer Recife e seu avançado projeto de desenvolvimento
econômico-cultural, queria que tudo aquilo fosse implantado em Porto Calvo e
Penedo. Não conseguiu. Seus conterrâneos venceram. Mas ele deixou bem
patente em sua carta, que preferia derramar seu sangue por uma causa justa,
que ele abraçou do que viver sob o domínio mesquinho dos portugueses, que
só queriam mesmo explorar os brasileiros. Foi morto e esquartejado, com
partes do seu corpo distribuídas pelas ruas da Vila de Porto Calvo. Mas, os
holandeses conseguiram recuperar tudo e fizeram um enterro com honras
militares. Passou para a História da Holanda, como herói. A História do
Brasil, o considera um traidor. Mas era escrita pelos portugueses.
Hoje, Porto Calvo só tem como monumentos para lembrar a sua importância na
História de Alagoas, a Igreja matriz de Nossa Senhora da Apresentação, inaugurada
em 1610 (existe no alto de sua fachada, essa data), com seu altar-mor em
madeira, originalíssimo e as imagens da sua padroeira, de Cristo
crucificado, de Nossa Senhora da Conceição e outras. É a mais antiga da
freguesia de Alagoas. Para lembrar Calabar, existem: o chamado Alto da
Forca, onde dizem que ele foi enforcado, além de um clube, um bar e
restaurante que levam o seu nome. Mas, o importante mesmo é a luta dos
filhos da terra para resgatar a memória desse conterrâneo. São publicados
livros e outros periódicos, enaltecendo a sua figura. A esperança é de que
um dia, ele seja finalmente considero Herói Nacional, como foi Zumbi, outro
que os portugueses também consideravam como traidor.
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No início da segunda década
do século XVIII, foi criada a Comarca de Alagoas
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Por: Jair Barbosa
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O progresso do Sul da
Capitania de Pernambuco conhecida como Alagoas fez com que sua população
fosse logo desejando a independência. Mas nada era fácil. No início da
segunda década do século XVIII, foi criada a Comarca de Alagoas, sob a
jurisdição da Capitania de Pernambuco, e nomeado o primeiro Ouvidor Geral:
José da Cunha Soares.
Por não existir cursos jurídicos no Brasil, esse cargo era destinado a quem
fosse mais letrado, com espírito de liderança. Transformava-se em
comandante da Justiça, da Política e da Economia. E no período de mais de
um século, entre 1711 a
1817 (ano de sua emancipação política), Alagoas teve 17 ouvidores-gerais.
Foi exatamente na segunda metade do século XVIII que surge Maceió, de um
engenho de açúcar denominado Massayó. Surgiram
ainda as povoações de Anadia,
Atalaia, Camaragibe, São Miguel dos Campos e Porto de Pedras. A Comarca
tinha como sede a vila de Alagoas, atual Marechal Deodoro, uma espécie de
capital, já com suas igrejas monumentais, ainda hoje preservadas. Penedo,
Porto Calvo e Santa Luzia do Norte, eram vilas, que continuavam crescendo e
atraindo novos moradores.
Ainda no século XIX existiam em Alagoas as vilas de Atalaia, Anadia, Água Branca, Pão de Açúcar, Traipu,
Piranhas, Palmeira dos Índios, São Miguel dos Campos, Quebrangulo,
Assembléia (Viçosa), Imperatriz (União dos Palmares), São José da Laje,
Porto de Pedras e Passo do Camaragibe.
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O Ouvidor Batalha sempre
sonhava em
transformar Alagoas em Capitania e ser o primeiro
governador
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Por: Jair Barbosa
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A Comarca de Alagoas já
esbanjava progresso, provocando ciumeira em meio as
lideranças da Capitania de Pernambuco. Nas duas primeiras décadas do século
XIX, já apresentava-se em condições de se tornar
independente. Mas os donatários não aceitavam. Afinal, era daqui que eles
abocanhavam uma boa parcela da arrecadação de impostos, além da grande
produção de açúcar dos nossos engenhos.
O Ouvidor Batalha sempre sonhava em transformar Alagoas
em Capitania e ser o primeiro governador. Aproveitou a Revolução
Pernambucana, que tinha como objetivo libertar-se de Portugal e, iniciou
seu plano. Os revolucionários já haviam conquistado o apoio da Paraíba e
Rio Grande do Norte. Faltava Alagoas e Sergipe
(Comarcas), além da Bahia e Ceará.
Um emissário foi enviado do Recife a Salvador, para tentar conquistar esse
tão sonhado apoio. Passando por Alagoas, propagava os ideais
revolucionários e conquistava alguns adeptos. Mas o Ouvidor Batalha não se
encontrava na sede da Comarca e sim na vila de Atalaia, já em campanha em
prol da emancipação política de Alagoas.
O emissário que trouxe a notícia para Alagoas e seguiu para Sergipe e
Bahia, foi o Padre Roma. Aqui, encontrou um apoio de peso: o Comandante das
Armas, Antonio José Vitoriano Borges da Fonseca, que atendendo ao pedido do
Padre Roma, autorizou a destruição dos símbolos de Portugal e colocou em
liberdade todos os presos. Passou por cima da autoridade maior da Comarca:
o Ouvidor Batalha. Escreveu ao Conde D’Arcos, governador da Bahia,
informando sobre os idéias da Revolução
Pernambucana e seu apoio, pedindo o dele. Não conseguiu. Arrependeu-se de
ter seguido os conselhos do Padre Roma. Era tarde demais.
Em Atalaia, o Ouvidor Batalha, aproveitando os tumultos, escreve ao Conde
D’Arcos comunicando-lhe das medidas que resolveu tomar: desmembrou a
Comarca de Alagoas da jurisdição da Capitania de Pernambuco, enquanto
durasse a revolução e auto-nomeou-se
governador provisório. Contou com o apoio que precisava e venceu a batalha.
Dias depois, Alagoas separou-se definitivamente de Pernambuco. Mas ele não
conseguiu o que tanto sonhava: ser seu primeiro governador.
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Ao desembarcar no porto de
Jaraguá, o governador encantou-se com a vila de Maceió
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Por: Jair Barbosa
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O decreto
assinado por Dom João VI
emancipando Alagoas de Pernambuco, transformando a Comarca em Capitania,
estabeleceu como capital a vila de Alagoas (atual Marechal Deodoro) e
nomeando como primeiro governador, o português Sebastião Francisco de Melo
e Póvoas, que acabara de governar a capitania do
Rio Grande do Norte.
Ao desembarcar no porto de Jaraguá, o governador encantou-se com a vila de
Maceió. Foi recebido com muitas festas e, hospedou-se no sobrado de um
português na esquina das ruas do Comércio e Livramento, onde hoje funciona
a Ótica Flamengo.
Sua posse aconteceu na matriz de Nossa Senhora da Conceição, na capital,
numa solenidade com muita pompa, autoridades diversas e muitos discursos.
Mas o governador não gostou muito do aspecto urbano da antiga vila, sempre
priorizando Maceió.
E essa opção pela vila ao invés da capital, fez com que várias autoridades
protestassem. Os de Alagoas (Marechal Deodoro) não aceitando sob hipótese
alguma a instalação de repartições públicas na vila de Maceió, enquanto o
próprio governador e várias outras personalidades políticas, econômicas e
culturais preferiam mesmo que os principais órgãos públicos fossem mesmo
instalados em Maceió, por ser mais desenvolvida que a capital, possuir um
movimentado porto e toda a infra-estrutura de uma capital. E assim foi
feito.
Melo e Póvoas instalou a Junta de Administração e
Arrecadação da Real Fazenda. Quartel Militar e a Alfândega. Ciumeira geral.
Maceió crescia a olhos vistos. O governador mandou que fosse elaborada uma
planta urbana, para proporcionar um novo visual a vila. O traçado das ruas
e das praças e os melhoramentos necessários. E assim surgiram as ruas do
Comércio, do Sol, Livramento, Boa Vista, Moreira
Lima, Augusta, Nova, Alegria e as praças Dom Pedro II e Martírios. O
traçado continua o mesmo. Nunca houve alargamento, mudando apenas a
arquitetura das casas.
O governador afastou-se do cargo em fevereiro de 1822, retornando à Portugal. Criou-se uma junta governativa formada por
Antonio José Ferreira, José de Souza Melo, Nicolau Paes Sarmento, Manoel
Duarte e Antonio de Hollanda Cavalcante, que
permaneceu até a independência do Brasil, quando a Capitania foi
transformada em Província.
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Alagoas é entre todos os Estados
brasileiros o que possui o maior número de folguedos populares. São
registrados pelos estudiosos do assunto cerca de vinte e nove folguedos e
danças alagoanas, a saber: quatorze natalinos, dois
de festas religiosas, quatro carnavalescos, quatro carnavalescos com
estruturas simples, dois torés e três danças.
Para termos uma melhor
compreensão apresentamos uma classificação dessas manifestações.
Baianas
Bumba meu Boi
Cavalhada
Chegança
Fandango
Guerreiro
Maracatu
Marujada
Pastoril
Pastoril Profano
Presépio
Reisado
Quilombo
Taieiras
Mané do Rosário
Bandos
Cambindas
Negras da Costa
Samba de Matuto
Caboclinhas
Boi de Carnaval
Ursos de Carnaval
Gigantões (bonecas)
A Cobra Jararaca
Toré do Índio
Toré de Xangô
Rodas de Adultos.
Este folguedo não possui um
enredo determinado. As baianas cantam uma seqüência constituída de marchas de
entrada ou abrição de sede, peças variadas e por
fim a despedida. Personagens: grupo de dançadores. Trajes: vestes
convencionais de baianas. Instrumentos: percussão.
Auto popular de temática pastoril que tem na figura do boi o
personagem principal. Sua apresentação em Alagoas é semelhante a um teatro de
revista. Consta de desfile de bichos que dançam ao som de cantigas entoadas
por cantadores e acompanhadas por conjunto musical. Instrumentos: percussão e
apito.
Dança cortejo, sem enredo ou
drama. Forma de reisado, no qual os personagens se vestem de penas.
Originário dos maracatus pernambucanos com elementos do reisado alagoano, a
exemplo das baianas e samba de matuto. Personagens: mestre, contramestre,
embaixadores, vassalos, mateus,
rei, lira, general, borboleta, estrela de ouro, rei Catulé
e caboclinha. Trajes: cocar, tanga, braceletes e perneiras de penas de peru,
colares, brincos de dente, conchas ou sementes. Instrumentos: banda de
pífanos.
Cortejo e torneio a cavalo, em
que a parte mais importante consiste na retirada de uma argolinha, com a
ponta da lança, em plena corrida. Os doze cavaleiros ou pares são divididos em cordões azul e encarmado.
Tem origem nos torneios medievais.
Auto marítimo existente em Alagoas é a versão das Mouriscadas
da Península Ibérica e das danças Mouriscas da Europa. Quase todo bailado e
cantado, realiza-se em uma barcaça armada especialmente para este fim.
Personagens: almirante, capitão, Capitão de mar e guerra, mestre piloto,
mestre patrão, padre-capelão ,doutor cirurgião,
oficiais inferiores, marujos e dois gajeiros. Trajes: à maruja. Instrumentos:
pandeiro.
COCO ALAGOANO
Dança de origem africana,
cantada e acompanhada pelas batidas dos pés ou tropel. Também denominada
pagode ou samba. Surge na época junina ou em outras ocasiões para se festejar
acontecimentos importantes da comunidade. Personagens: mestre e dançadores.
Traje: roupa do dia a dia. Variações do estilo: coco solto,
quadra, embolado, coco de entrega, coco de dez pés, praieiro, bambelô, zambê, coco de roda e
samba de coco.
Auto dramático de temática náutica, como a chegança. Entoam cantigas
náuticas de diversas épocas e origens, algumas sem dúvida
portuguesas que falam de suas grandes navegações. Personagens:
almirante, capitão, capitão de mar e guerra, mestre piloto, mestre patrão,
oficiais, marujos e gajeiro. Trajes: oficiais com quepe de pala, paletó azul
marinho com camisa e gravata preta, ornado de platinas e alamares, calças
brancas, espadas e espadins; marujos de gorro e blusa maruja da mesma cor que
a dos oficiais. Instrumentos: rabeca e viola.
Auto genuinamente alagoano,
misto de reisados alagoanos e do antigo e desaparecido auto dos Caboclinhas da chegança e dos pastoris, surgido entre
os anos de 1927 e 1929. Trajes: multicoloridos, usando-se fitas, espelhos,
diademas, mantos e contas aljôfares. Personagens: rei, rainha, índio Peri e
seus vassalos, lira. Instrumentos: sanfona, tambor e pandeiro.
É um fragmento dos presépios,
constituído por jornadas soltas, executado-se a de
boa noite e a da despedida. Personagens: mestra, contramestra, diana, as pastorinhas, o pastor
e a borboleta. Trajes: saias, blusas, faixas, aventais, chapéu de palhinha,
nas cores azul e encarnado. Levam um pandeiro feito
de lata, com cabo e sem tampa, ornado de fita com a cor do cordão a que
pertence. Acompanhamento: conjunto de percussão e sopro.
Auto popular profano religioso, formado por vários grupos de músicos,
cantores e dançadores apresentando vários episódios. Sincretizou-se,
no Estado, com o auto dos congos ou rei dos congos.
Personagens: rei, rainha,
embaixador, mestre ou secretário de sal, contramestre, mateus e palhaço. Trajes: saiote de cetim colorido,
chapéu de aba larga guarnecido de espelhos redondos, flores artificiais e
fitas variadas. Instrumentos: sanfona, tambor e pandeiro.
Pega do Boi, Corrida de Mourão
ou como é mais conhecida Vaquejada é um esporte caro pois
necessita de local apropriado para sua prática diferente dos tempos em que Lampião e
seus "Cabras" o praticavam nas caatingas. Geralmente corre-se
vaquejada por dupla, uma vez que um dos vaqueiros faz o papel de
"esteira", para que o boi não saia pelo lado oposto ao do
"puxador", que segurando a cauda do animal, faz força para
derrubá-lo de patas para cima. Na vaquejada cada lance envolve risco e exige
coragem é realmente como dizem os que dela participam: "um esporte de
cabra macho". Traje: Comum geralmente com as proteções usadas pelos
vaqueiros.
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Sobre o Gogó-da-Ema,
o maior símbolo de Maceió, o historiador Luis Veras Filho, num excelente
trabalho publicado pela Fundação Teatro Deodoro, da série Maceió - História e Costumes, assim se manifesta:
"Uma onda de tristeza, lamentos e protestos invadiu Maceió
na manhã do dia 28 de julho de 1.955, ao ser divulgado, amplamente, o
tombamento - no sentido drástico do vocábulo - do "Gogó-da-Ema".
Lá estava,
deitado, moribundo, na areia alva da Ponta Verde, a palmácea poética da
cidade. Há muito que se esperava o espetáculo. Os jornais e a população
clamavam por uma proteção mais segura ao coqueiro.
Desprezado pelas autoridades,
apesar de gabado e sempre apresentado por todos os maceioenses aos visitantes
da cidade, o "Gogó-da-Ema"
, às 16;30 hs. do
dia 27 de julho de 1.955, teve sua proteção fortemente invadida pelas águas
impetuosas do Atlântico; e, finalmente, sem mais se conter em suas raízes,
caiu, naquela encantadora hora de início de crepúsculo, como são os fins-de-tarde da Pajuçara e da
Ponta Verde.
O "Gogó-da-Ema"
desafiava a lei da gravidade, o que fazia com que houvesse a necessidade do
máximo de fixação ao solo para que permanecesse de pé. Mas, o que ele mereceu
das autoridades foi apenas um punhado de barro em sua base e um cais-de-proteção de troncos e coqueiros, estacas de
madeira e pedaços de arrecifes extraídos do local, juntados com cimento, de
pouca resistência, que a preamar, sempre debelando, aos poucos foi tornando
sua queda iminente.
Nunca se pôde compreender o
esquecimento a que o governo relegou o coqueiro-aleijão, cujo defeito o
tornou motivo histórico para nossa capital. Estranhável o descuido do poder
público, depois que a fama da inditosa palmeira atravessou os limites do
estado para torná-la conhecida no país e no estrangeiro, através de postais,
gravuras, fotografias, panfletos e "posters" , nos interessantes aspectos colhidos pela
habilidade dos fotógrafos amadores e profissionais, nas manhãs tranqüilas e
cheias de luz, como nas noites poéticas, com a lua a surgir dentre as nuvens,
através da sua fronde majestosa a dominar a paisagem.
O "Gogó-da-Ema"
vivia por todas as partes: na vitrine dos estúdios; nos álbuns de seus
mostruários; na bela coleção de fotografias colorizadas que enriqueciam e
encantavam o atelier de Arnaldo Goulart; nas telas de José Paulino; nas
luxuosas latas dos biscoitos "Brandim" . Por toda a parte estava o "Gogó-da-Ema".
O local onde ele dominava
tornara-se o ponto-de-encontro escolhido dos
namorados e das conquistas arriscadas. Nas tardes amenas, era o passeio
preferido pelo encanto maravilhoso da paisagem marítima e pelos que se
deliciavam com a água saborosa do coco verde.
Nas noites de luar, o "Gogó-da-Ema" foi testemunha discreta e muda dos
encontros felizes, das confissões apaixonadas que ouvia,
dos devaneios, dos íntimos aconchegos amorosos a que assistia impassível. Ele
atraía, com um estranho magnetismo, os namorados, como se fosse tal como
Vênus da mitologia, inspirando mais o amor, lançando nos pensamentos palavras
carinhosas que transmitimos àqueles que amamos...
Lembro-me, quando menino, vi o
"Gogó-da-Ema" pela primeira vez: o dia
era claro e a luminosidade cobria a terra; e eu, boquiaberto, admirava aquela
silhueta que se lançava ao mar e ao firmamento. Fiquei deslumbrado por algum
tempo, olhando aquela paisagem maravilhosa que mais parecia imaginária...
Veio o entardecer, uma brisa
suave agitava os meus cabelos salgados, o vento tornava-me sonolento, o manto
escuro começava a substituir a luminosidade do sol que se tornava rubro cada
vez mais, tornando a paisagem tão bonita que nenhum pintor deste universo, por
gênio que fosse, conseguiria transpor para sua tela.
Era, o "Gogó-da-Ema",
o coqueiro fenomenal que, acidentalmente, cresceu - a Natureza, para ser
retilínea, às vezes entorta - daquela forma : na
parte inferior da curva pronunciada do "Gogó", havia cicatrizes de
traumatismos causados por pequenos insetos que, com certeza, afirmaram
agrônomos da época, deram-lhe aquela forma. Era uma espécie de monumento da
Natureza, o qual, naquela solidão, vivia confortado pela lembrança de todos
os que o visitavam para ver se, de fato, aquele vegetal tinha mesmo, no
tronco, a curva parecida com a do pescoço dos pernaltas.
Ele ficava na ponta do semi-cabo que conhecemos como Ponta-Verde, como se fosse
um farol, mostrando as adjacências dos pontos-de-partida
dos destemidos jangadeiros. E, naquele recanto, ele era como se fosse uma
pessoa contando-nos uma história que só terminava quando se saía de lá. O
coqueiro amigo era como recanto para todas as idades, porque era o recanto
para todas as mocidades.
Quando foi plantado e quem o
plantou, isso ninguém descobriu. Quem o batizou,
ninguém o sabe; mas, segundo Roberto Stukert, um
repórter-fotográfico que foi quem mais o retratou, quem oficializou o nome
foi o então Deputado e escritor Mendonça Júnior, que havia, também, sido Diretor
do Departamento Estadual de Cultura.
Segundo se afirmava,
o coqueiro-símbolo de Maceió existia desde os meados dos anos 10, no sítio
outrora pertencente a Francisco Venâncio Barbosa, mais conhecido como Chico Zu. No início era pouquíssimo conhecido, e quem o fosse
ver arriscava-se a ser mordido por cães que guardavam o local.
Além do descaso das autoridades,
outro motivo que provocou sua morte, segundo consta, se deu a partir de
1.930, quando, próximo ao local, uma empresa norte-americana perfurou vários
poços em busca de petróleo; os alicerces de uma das torres ainda estão lá até
hoje. Com isso, o mar começou a avançar, derrubando vários coqueiros, fazendo
com que se pudesse divisar o "Gogó" ao longe, quer da praia de Pajuçara, quer do mar.
Mas o mar continuava a avançar,
pondo em risco a famosa palmeira. Veio então a construção do Porto de
Jaraguá, que ocasionou mais acentuadamente a invasão marítima, quando a
Prefeitura construiu o bisonho cais-de-proteção,
que não resistiu à fúria do mar.
José Dias de Oliveira, empregado
na propriedade onde ficava o "Gogó", que já pertencia ao sr. Álvaro Otacílio, foi quem
viu o coqueiro cair:
"... Ele não caiu de uma
vez. Foi aos pouquinhos. Foi caindo e, já em baixo, despencou com mais
violência, com um barulho seco."
A queda do referido vegetal
chegou a merecer uma ampla reportagem em " O
Cruzeiro ", a melhor revista brasileira da época, ilustrada com
fotografias dele, imponente, majestoso e, depois, sucumbido.
Tentaram ressuscitar o coqueiro,
com a participação de centenas de pessoas, autoridades e agrônomos, além do
Corpo de Bombeiros, o qual, com a ajuda de um guindaste, ergueu
a árvore. Essa iniciativa foi encabeçada pelo jornalista Carivaldo
Brandão. Mas, em 1.956, foi, o "Gogó-da-Ema" , dado como morto definitivamente.
Sobre ele, é importante
transcrever, aqui, palavras do ilustre folclorista Théo Brandão
:
" É verdade que o "Gogó-da-Ema"
é um aleijão. Mas há harmonia em suas linhas. Quanto ao mais, o povo já o
elegeu como símbolo da cidade. Significa uma preciosidade da terra. Como
folclorista, temos obrigação a zelar pelos que, mesmo sem serem feitos pelo
povo, são entronizados como símbolos pelas camadas populares. Aliás, no
material da Comissão de Folclore de Alagoas, o "Gogó-da-Ema"
aparece como símbolo".
O saudoso coqueiro, como já foi
dito, sempre foi muito querido pelos namorados, a quem acolhia nas manhãs e
tardes ensolaradas, ou nas noites de luar. Talvez, por isso, tantas visitas teve depois de moribundo. A solidariedade
foi tamanha, que parecia que todos eram parentes do coqueiro.
E, mesmo sendo
o "Gogó-da-Ema" o recanto predileto dos
namorados, que lá se encontravam cheios de amor, por incoerência morreu por
falta desse sentimento."
Publicada no Boletim
Alagoano de Folclore No 11, de 1.987, a lenda do Gogó-da-Ema é relatada da seguinte maneira, por Maria
Aída Wucherer Braga:
"Narra uma velha lenda: era
uma vez uma índia morena, virgem de corpo e de coração.
Habitava a taba dos guerreiros
caetés, tecia redes e se enfeitava de penas. Mirava o rosto nas águas claras
da lagoa e corria pela mata, ouvindo o grito da araponga e respondendo ao
canto da cauã.
Um dia ouviu-se um brado de
guerra e os guerreiros partiram manejando os tacapes.
Os arcos retezados
expediam flechas e eram tantas que se confundiam no ar.
Três sois
lutaram sem descanso e sem cansaço.
Ao alvorecer do quarto dia voltaram triunfantes.
Entre os troféus, traziam preso
um inimigo. Começaram os festejos. O indio era
forte e era belo. Não queria ser sacrificado. Pediu para lutar e venceu três embates.
Não se mata um herói entre os
índios. Só os civilizados têm medo da coragem e do heroísmo dos outros.
A virgem caeté apaixonou-se pelo
índio prisioneiros e fugiram na calada da noite.
Andavam sol a sol. À noite
deitavam-se na terra e suas bocas sedentas de água e sedentas de amor se
encontravam na escuridão. Recomeçavam a caminhada com a aurora.
A índia definhava. Seus passos
já não eram ágeis, seus membros pesavam, seus olhos ofuscados pela claridade
dos dias de sol procuravam a terra e a cabeça pendia-lhe no peito.
E a marcha prosseguia em busca
de outras terras.
Um dia viram água, muita água.
Era a imensidão do mar.
Exausta, ela se deitou na beira
da praia deserta. Suas forças chegavam ao fim.
Desesperado, ele pediu a Tupã
que o transformasse em uma árvore cujo fruto tivesse água doce para matar a
sede à sua amada, polpa para mitigar-lhe a fome, óleo para untar seus pés
cansados e palmas longas para abrigar na sombra seu corpo franzino.
Tupã atendeu. Transformou-o em
coqueiro, o primeiro coqueiro que houve sobre a terra.
Na ânsia de crescer, ele elevou
o tronco muito acima das areias brancas e ela não alcançou seus frutos
pendentes.
Então, num esforço gigantesco,
ele se curvou para a praia, abaixando o tronco poderoso.
A índia já não resistia. Com as
mãos estendidas para colher os frutos de água doce e polpa macia, sua alma
voara em direção às nuvens.
Novamente, num esfoço supremo, ele movimentou o tronco para o alto e
ergueu a copa verde carregada de frutos para o céu.
Até morrer ele
ficou ali numa praia de Alagoas, embalando nas palmas adejantes,
a alma fugitiva de sua amada".
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